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Entidades se articulam em defesa de igarapé urbano

Postado em 02/06/2017 as 05:46:11

Por Élida Galvão

Fundo Dema


| Igarapé Urumari, localizado na área urbana de Santarém, sofre as consequências da falta de planejamento urbano


Na manhã do dia 02 junho, integrantes do Comitê Urumari se reúnem com pesquisadores da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Santarém (SEMMA). O encontro tem uma causa nobre, que é a luta para manter o igarapé Urumari vivo. A reunião acontece às 9h30, ao lado da igreja Frei Rainerio, em Santarém (PA), onde será lançado um projeto de revitalização deste importante recurso natural.

Com cerca de sete quilômetros e meio, desde suas nascentes até a foz, o Urumari percorre sete bairros em meio à área urbana da cidade, entre eles: Urumari, Santo André, São José Operário, Uruará, Jatí, Área Verde e Vigia. Porém, com os crimes ambientais cometidos por empresários, madeireiras, serrarias e criadores de porcos, somado ao crescimento urbano desordenado e a construção de palafitas às margens do igarapé, o ecossistema em volta do Urumari vem sendo fortemente agredido e devastado ao longo dos últimos anos.

Compreendendo a importância de manter o igarapé vivo e saudável, representantes de associações de moradores dos bairros adjacentes ao igarapé, juntamente com a Federação das Associações de Moradores e Organizações Comunitárias de Santarém (FAMCOS) e a Paróquia Cristo Libertador, cuja ação social se estende aos bairros em questão, criaram, em 2007, o Comitê Urumari, que desde então vem trabalhando voluntariamente na perspectiva de tirá-lo da condição de depósito de poluição e vetor de proliferação de doenças para voltar a ser fonte de lazer, de alimento, de purificação do ar, de amenização da temperatura urbana e de beleza e contemplação da vida e da cultura amazônica.

Em defesa do Urumari

Em 2011, por meio do projeto ‘Urumari Vivo’, desenvolvido sob a responsabilidade jurídica da FAMCOS, com o apoio do Fundo Dema em parceria com o Fundo Amazônia, o Comitê iniciou um trabalho de resgate ambiental do igarapé. A ação perdurou cerca de quatro anos. Durante esse tempo, muitas parcerias foram firmadas e dezenas de atividades desenvolvidas. A realização de uma audiência pública para tratar sobre a degradação do Urumari foi uma das primeiras ações realizadas. Esta importante mobilização deu o pontapé inicial para processo de recuperação do igarapé.

Dessa forma, além da UFOPA e da SEMMA, contando, também, com a parceria do Ministério Público Estadual, Secretaria Municipal de Educação (SEMED), Faculdades Integradas do tapajós (FIT), Projeto Formigas que Voam e Projeto Saúde e Alegria, o Comitê passou para desenvolvimento do processo de reavivamento da microbacia do Urumari. A partir de então foram feitas oficinas de georreferenciamento, coleta de solo, análise físico-química da água, levantamento da fauna e da flora, mapeamento socioambiental e atividades de educação ambiental.

Continuidade da luta

No entanto, apesar de muita melhoria alcançada, o igarapé continua ameaçado pela falta de planejamento urbano. Mas, a continuidade das ações para resgatá-lo enche de esperança os/as militantes envolvidos na preservação da microbacia. Mesmo tendo finalizado em 2016, o projeto Urumari Vivo possibilitou o firmamento das articulações em torno da causa.

De acordo com o Diego Ramos, coordenador do Comitê Urumari, a articulação com a UFOPA e a SEMMA irá formalizar um convênio, envolvendo a prefeitura municipal e a secretaria municipal de recursos hídricos, para a execução de um projeto piloto da universidade, voltado ao estudo de igarapés urbanos. “O Urumari foi escolhido para o desenvolvimento deste projeto piloto porque possui um conjunto de fatores estruturados, como a formação de um Comitê e as atividades já desenvolvidas”, diz o representante do Comitê.

O projeto consiste em um trabalho multidisciplinar, que vai desde o monitoramento à educação ambiental junto às famílias que moram à margem do igarapé. Para Diego, este é um passo muito grande na luta que já perdura dez anos. “O apoio do Fundo Dema foi importante neste processo, possibilitando o trabalho de sensibilização, educação ambiental, denúncias, pesquisas, tudo feito de forma voluntária para combater a degradação que vem ocorrendo nessas últimas décadas de forma severa. O objetivo é que a iniciativa dissemine nos demais igarapés de Santarém”, avalia Diego.

 

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Veja Fotos do projeto



Fonte: Fundo Dema

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