Projeto fortalece produção agrícola e organização comunitária em território Tremembé no Maranhão
Por Vitória Rodrigues

Na Comunidade Indígena Tremembé de Engenho, em São José de Ribamar (MA), o trabalho na roça faz parte do cotidiano das famílias. Mas preparar a terra para o plantio nem sempre foi uma tarefa simples. Antes da chegada de novos equipamentos agrícolas, o processo exigia esforço físico intenso e muitas horas de trabalho, o que limitava a ampliação da produção e dificultava a participação de mais pessoas nas atividades produtivas. Essa realidade começou a mudar com a execução do projeto “Comunidade Indígena Tremembé de Engenho: Segurança Alimentar e Geração de Renda”, desenvolvido pelo Instituto Socioambiental Isa Juçaral, com apoio do Fundo Dema, por meio do edital Cidades Amazônicas 2.
A iniciativa nasceu de uma visita de solidariedade realizada pelo Instituto à comunidade. Durante o encontro, os Tremembé compartilharam os desafios enfrentados no fortalecimento da produção agrícola e na luta pela demarcação do território. A partir desse diálogo, foram definidas as prioridades do projeto, entre elas a aquisição de equipamentos para facilitar o trabalho na roça e contribuir na ampliação da produção de alimentos e da geração de renda.
Ao longo do projeto foram adquiridos uma roçadeira, uma forrageira e um motocultivador, equipamentos que se tornaram um dos principais ganhos para a comunidade. Também foram realizadas oficinas sobre agroecologia, comercialização, conservação de produtos agrícolas, associativismo e cooperativismo, reunindo moradores do território em momentos de formação e troca de conhecimentos. Segundo Francisco Tunga, coordenador do projeto, a aquisição do motocultivador representou a realização de um desejo antigo da comunidade. “Com essa máquina, os Tremembé conseguem preparar um canteiro de 7×2 metros em apenas sete minutos”, explica.

A mecanização reduz o esforço físico exigido no preparo das áreas de cultivo e permite otimizar o tempo dedicado ao trabalho agrícola, mudança que também fortaleceu e incentivou a participação das mulheres nas atividades produtivas. “O que antes era uma atividade realizada exclusivamente pelos homens, passou a contar também com a participação das mulheres. Isso melhora a qualidade de vida das famílias e permite que elas tenham mais tempo para outras atividades do cotidiano”, destaca Francisco.
E para os Tremembé, a chegada dos equipamentos representou uma mudança concreta na rotina de trabalho. “O projeto foi muito importante para nós porque aumentou a nossa produção. Antes a gente trabalhava muito com enxada. Hoje usamos mais os equipamentos, como o tratorito e a roçadeira. Nós ficamos muito gratos e esperamos participar de novos projetos para continuar fortalecendo o nosso território”, afirma Robson Tremembé, participante do projeto.

A participação comunitária esteve presente em todas as etapas da iniciativa. As famílias beneficiadas contribuíram para a definição das prioridades do projeto, acompanharam pesquisas de preços e participaram das decisões relacionadas às compras dos equipamentos. Ao todo, dez famílias estiveram diretamente envolvidas nas ações, beneficiando cerca de 60 pessoas de forma indireta. Além dos avanços na produção agrícola, o projeto também contribuiu para fortalecer a organização comunitária com a oficina dedicada ao associativismo e ao cooperativismo, incentivando reflexões sobre gestão coletiva, representação comunitária e acesso a oportunidades voltadas à agricultura familiar.
Para o Isa Juçaral, os resultados alcançados vão além dos equipamentos e das atividades realizadas. O projeto ajudou a fortalecer a confiança da comunidade em processos coletivos de desenvolvimento. “O apoio do Fundo Dema trouxe autoestima, animou a comunidade e fez com que ela voltasse a acreditar nas parcerias e a ver que é possível desenvolver o seu próprio território”, afirma Francisco. Com o cultivo de hortaliças, mandioca, frutas e cana-de-açúcar, os Tremembé seguem fortalecendo sua produção e construindo caminhos que unem geração de renda, segurança alimentar e valorização dos modos de vida indígena.